sábado, 21 de junho de 2008

Cangaço

O Cangaço

O cangaço foi um sistema de luta de classes que ocorreu no nordeste brasileiro, entre meados do século XIX e início do século XX. Porém, o cangaceiro não tinha consciência social e o cangaço acabava sendo simplesmente uma reação à miséria, que não se resolvia de forma racional, se resolvia pela violência.

O cangaço lutou contra o poder ilimitado dos coronéis, a pobreza, a fome e as secas, sem a proteção política.
O movimento se originou devido aos latifúndios, que concentravam terra e renda nas mãos dos grandes fazendeiros, excluindo da sociedade a maior parte da população. Os cangaceiros agiam através de ações violentas, como assalto à fazendas, seqüestro dos grandes fazendeiros e saques à comboios e armazéns.Eles tinham uma vida nômade: viviam perambulando pelo sertão, praticando crimes, fugindo e se escondendo.
Nos combates contra policiais, levavam vantagem, pois tinham grande conhecimento do território nordestino. Conheciam as rotas de fuga, locais onde poderiam encontrar alimento, fontes de água e plantas medicinais. Conheciam também os lugares de difícil acesso que serviam como excelentes esconderijos.
Os cangaceiros, ao chegarem nas cidades, pediam moradia e alimentação aos moradores locais. Aqueles que se opunham, restava violência, porém os cangaceiros, apesar de bandidos, tinham o respeito de muitos, já que ajudavam á todos aqueles que ajudavam eles e trabalhavam no sentido de tirar dinheiro dos ricos fazendeiros e dividir com as pessoas pobres. Portanto, muitas vezes, o “Rei do Cangaço”, Lampião, foi associado à Robin Hood, pois roubava comerciantes e fazendeiros e dava parte do dinheiro aos pobres.
Lampião, líder do mais famoso grupo de cangaceiros, nasceu em 7 de julho de 1897, em Pernambuco. Virgulino Ferreira da Silva começou a atuar como cangaceiro após a morte de seu pai, pois havia jurado vingança. Apesar de ser perseguido pela polícia, Lampião e seu bando foram convocados para combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados. O governo se juntou aos cangaceiros em 1926, pois o “Senhor do Sertão” era um grande estrategista militar.
Lampião morreu no dia 28 de Julho de 1938, na Fazenda Angico, em Sergipe, vítima de uma emboscada armada por uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra. Morreu junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros. Tiveram suas cabeças descepadas e expostas em praça pública para servir de castigo exemplar e desestimular a prática.
O movimento do cangaço terminou em 25 de maio de 1940, com a morte de Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido também como Corisco ou “Diabo Loiro”. Corisco foi o último integrante do grupo de Lampião a morrer.

2 comentários:

talita disse...

historiadores importantes como frederico pernambucano de mello e gustavo barroso durrubam a tese da luta de classes no cangaço.
eles defendem que o cangaçeiro é resultado da sociedade pecuarista sertaneja acostumada com a violencia e com a seca. os cangaçeiros nao tem conciência de classe. a maioria dos cangaçeiros encaravam o cangaço como modo de vida, fuga ou vingança, a disputa nao era de classes e sim de parentelas. Lampião fez diversos acordos de ajuda mutua com coroneis

talita disse...

Frederico Pernambucano de Mello em Guerreiros do Sol: Desde assertivas apressadas ou emocionais, como a de Cristina mata Machado, que o Vê como " resposta a violência do coronel, a clichês epistemologicamente duvidosos, como o de José Honório Rodrigues, quando o define como "resposta contra o monopólio da terra e exploração do trabalhador rural pelo latifundiário, o que se pode verificar é a aplicação mecânica, sem a adoção sequer de cuidados de adaptação, de esquemas rígidos de interpretação economica, com evidente desprezo pela complexidade que aludimos e em torno de que novamente fazemos ênfase.